domingo, 13 de abril de 2014

LIÇÃO 2: VENCENDO O MEDO DA REJEIÇÃO

Lição 02                          13 de Abril de 2014
Texto Áureo -“Então respondeu Moisés e disse: Mas eis que não me cre­rão, nem ouvirão a minha voz, porque dirão: O Senhor não te apareceu”. Êx 4.1

Verdade Aplicada - O medo da rejeição afeta a nossa tomada de decisão em relação à obra à qual fomos separados pelo Senhor.

Objetivos da Lição 
      Definir o que é medo da re­jeição;
      Mostrar o que pensa aquele que se acha rejeitado;
      Apresentar como devemos nos comportar ante essa situação.

Textos de Referência
Êx 3.1        E apascentava Moisés o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote em Midiã; e levou o rebanho atrás do deserto e veio ao monte de Deus, aHorebe.
Êx 3.2        E apareceu-lhe o Anjo do Senhor em uma chama de fogo, no meio de uma sarça; e olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia.
Êx 3.6        Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. E Moisés encobriu o seu rosto, porque temeu olhar para Deus.
Êx 3.11      Então, Moisés disse a Deus: Quem sou eu, que vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel?
Êx 4.10      Então, disse Moisés ao Senhor: Ah! Senhor! Eu não sou homem eloquente, nem de ontem, nem de anteontem, nem ainda desde que tens falado ao teu servo; porque sou pesado de boca e pesado de língua.

Vencendo o medo da rejeição

“Então disse Moisés ao Senhor: Ah. meu Senhor! eu não sou homem eloquente, nem de ontem nem de ante­ontem. nem ainda desde que tens falado ao teu servo; porque sou pesado de boca e pesado de língua. " Ex 4.10

É muito fácil encontrarmos, no meio do povo de Deus, pessoas que receberam um chamado especial e, ainda assim, sentem-se incapazes de realizá-lo. O caso de Moisés nos leva a enxergar como essas pessoas se deixam levar por um sentimento negativo que acaba por impossibilitá-los de fazer o que o Senhor espera deles. "Então respondeu Moisés, e disse: Mas eis que não me crerão, nem ouvirão a minha voz, porque dirão: O Se­nhor não te apareceu." Ex 4.1.

O pensamento de Deus em relação a Moisés - Ao se apresentar a Moisés, o Senhor já tinha em mente como iria agir em favor de seu povo, é fato, e to­dos nós sabemos que Deus é o Todo Poderoso e é capaz de realizar qualquer coisa, porém, em muitas passagens bíblicas, vemos o Todo Poderoso se utilizando de mãos humanas para realizar a sua obra, I Sm 17.46 "Hoje mes­mo o Senhor te entregará na minha mão, e ferir-te-ei, e tirar-te-ei a cabeça, e os corpos do arraial dos filisteus darei hoje mesmo às aves do céu e às feras da terra; e toda a terra saberá que há Deus em Israel;". O texto apresentado deixaclaro a intenção do Senhor que po­deria ter matado o gigante, mas preferiu se fazer pre­sente através da capacitação fornecida por Ele a David. A Palavra de Deus nos afirma que os Seus pensamentos são maiores do que os nossos, logo podemos entender que, em nenhuma situação, estaremos desguarnecidos daquilo que for preciso para realização do Seu querer.
Quando o Senhor apareceu a Moisés como fogo na sarça já tinha todo o seu projeto traçado. Em nenhum momento, Deus teve dúvida de que ele era o homem cer­to para o serviço; contudo, durante o seu diálogo com Jeová, Moisés apresenta alguns motivos que podem ser comparados com sintomas de medo da rejeição. Todo preparo recebido por ele na casa de Faraó fazia dele o indivíduo ideal para realização do projeto de Deus, e, ainda assim, nele estava instalado o que chamamos de medo patológico, (Ex 3.11). O medo patológico tem dois sintomas básicos, pode se apresentar como medo espe­cífico, quando o indivíduo apresenta um medo em rela­ção a um objeto específico, exemplo: medo de animais, de locais escuros, de altura entre outros; ou ainda como fobia social que traremos a respeito de maneira mais de­talhada mais adiante. Nem sempre o Senhor chama os capacitados, pois a Ele pertence o poder de capacitar o homem para realização de sua obra, entretanto, no caso de Moisés, o Senhor já o tinha separado desde a sua me­ninice, visto que o salvara da morte determinada pelo decreto de Faraó, (Ex2. 3-4). Todos os acontecimentos que se seguiram na vida de Moisés estavam debaixo da supervisão Divina.
Os anos que ele passou na casa de Faraó fizeram de Moisés um homem extremamente preparado para qualquer tipo de trabalho que ele precisasse desem­penhar, todavia o fato de ter sido criado como príncipe se tornou num possível impedimento para realização daquilo que era o verdadeiro projeto de Deus para sua vida. A formação recebida que o tornava conhecedor de toda ciência do Egito tinha sido fornecida com o objetivo de fazer dele o futuro Faraó. No caso de Moisés, Deus permitiu que ele cometesse um desatino (Ex 2.12), para que fosse afastado dos planos dos egípcios e trazido de volta para o centro da sua vontade.
Apesar de todo preparo de quedispunha, Moi­sés ainda não tinha sido provado por Deus, ou seja, era preciso que ele conhecesse o que é viver inteiramente debaixo da vontade do Criador (Fp 4. 12), sendo assim, tornou-se pastor de ovelhas (Ex 3.1) e passa ter conhe­cimento do que é ser um cuidador de vidas, um protetor e também um guia para os que não conhecem o caminho a ser seguido. (Ex14. 21-22).
Como sabemos, as ovelhas têm algumas características que as tornam vulneráveis, dentre tantas estão: a incapacidade de distinguir entre a boa e a má erva, o que muitas vezes leva algumas à morte, por comerem ervas venenosas. Moises, ao ser levado por Deus a cui­dar de ovelhas, pôde aprender que esse animal também é extremamente teimoso e, em alguns casos, precisa ter uma pata quebrada para aprender fazer a vontade de seu pastor. Quando vemos, em uma ilustração antiga, um pastor carregando uma ovelhinha no colo, logo pen­samos que ela é a mais amada pelo pastor, mas não é, ela é a mais teimosa e fujona, que se afasta do rebanho constantemente colocando em risco sua vida, por isso o pastor quebra uma de suas patas e passa a carregá-la no colo, depois lhe dá um nome para que, quando ele a chamar, ela identifique a sua voz e volte imediatamen­te para o rebanho.

Vivendo sob o medo da rejeição -Como já vimos, havia, em Moisés, tudo o que era necessário para que ele pudesse servir a Deus, tinha o conhecimento secular adquirido na casa de Faraó e ago­ra também tinha o preparo dado pelo Senhor no trato com as ovelhas. Ao contrário do que se esperava dele, ao invés, de aceitar imediatamente o chamado, negou, utilizando-se de diversos motivos, que ele considerava impedimentos, para realização do projeto divino, (Ex 4. 10). Em muitos casos, o sentimento de medo pode des­viar o escolhido do verdadeiro propósito de Deus para sua vida. Quando o homem é separado para uma obra, ele é separado primeiramente por Deus, em seguida, a ação do Espírito Santo, através da vida desse homem, é que vai mostrar aos outros homens que Deus está agindo e que ele é realmente um escolhido do Senhor, muitos que são chamados perdem a oportunidade de serem re­conhecidos por sentirem-se ameaçados e com medo de não serem aceitos como foi o caso de Moisés, (Ex 4.1).
A história relatada no texto de II Rs 2. 14-15 deixa claro que, quando a escolha acontece por Deus, ninguém duvidará.
É importante ressaltar que existem casos em que algumas pessoas usam de artifícios na busca pela aceita­ção, nesses casos, está na competência do Espírito San­to, revelar a verdadeira intenção dessas pessoas e fazer o que for necessário para que elas sejam cobradas pelos seus atos, (At 5.1-10). Ananias e Safira experimentaram da pior maneira o poder de Deus em suas vidas.
O medo da rejeição também pode levar o indiví­duo a duvidar da ação divina, tornando mais difícil a sua caminhada na presença do Criador. Não é raro nos depa­rarmos com pessoas, que, mesmo depois de terem uma experiência íntima e pessoal com Deus, ainda duvidem de sua atuação, (I Rs 18. 36-39 a I Rs 19. 1-4). Nessa narrativa, vemos Elias em seu maior momento de glória e, logo em seguida, sentindo-se desamparado por aque­le que o glorificou. Enfrentar dificuldades sempre será algo comum na vida do servo de Deus, contudo a certeza do livramento deve ser superior nesses momentos.
É natural, em quem ainda não está totalmente li­berto de seus medos, ter esse tipo de atitude, isto é, ne­gar a capacidade de Deus em fornecer a solução para to­dos os problemas, o perigo disso está no risco que essa pessoa corre, de com esta atitude, vir a se afastar da pre­sença do Senhor, levando-o a um completo esfriamento espiritual e consequentemente a perda da salvação.
Encarando o medo - O medo da rejeição também é conhecido como fobia social, essa fobia se caracteriza pelo medo, ou até mesmo horror, que a pessoa tem de se apresentar em público, em alguns casos evoluem ao ponto de tornar a pessoa completamente incapaz de comunicar-se, mes­mo que seja excelente naquilo para o que foi chama­da a fazer. No livro Atos, no capítulo 4, vemos Pedro e João, que aparentemente eram inferiorores a todos aos quais teriam de falar, no entanto os enfrentaram com tamanha intrepidez que os surpreenderam com suas palavras. Quem sofre de fobia social apresenta um im­pressionante excesso de desconforto quando observado por pessoas, ou ainda por única pessoa em eventos so­ciais ou que dependam de seu desempenho; esse estado emocional se apresenta também com sintomas físicos, tais como: taquicardia, sudorese, boca seca, sensação que vai desmaiar, pânico, confusão mental, gagueira en­tre outros.
Em seu diálogo com Jeová, Moisés apresenta um desses sintomas como desculpa para não atender o cha­mado de Deus, (Ex 4.10) "Então disse Moisés ao Senhor: Ah, meu Senhor! eu não sou homem eloquente, nem de ontem nem de anteontem, nem ainda desde que tens fa­lado ao teu servo; porque sou pesado de boca e pesado de língua”.

Alguns teólogos afirmam que o pesado de boca e de língua a que se referiu Moisés seria o fato de ele ser gago, já outros apresentam a possibilidade de que ele teria dificuldade em falar a língua pátria, uma vez que, há muito, teria perdido o contato com a mesma.
As prováveis causas do medo da exposição, no caso de Moisés, pode-se remeter a alguns juízos: 1- A crítica; por temer que seus irmãos o desprezassem, visto que ele os havia abandonado como escravos quando poderia ter tentado os livrar daquela situação; 2- A rejeição; por pensar que o povo hebreu pudesse se levantar contra ele, por se apresentar como um enviado do Senhor; 3- A depreciação; por aquilo que ele mesmo reconhece como uma dificuldade real, isto é, o manejo da língua ou idio­ma; 4- A acusação; que se explica pelo fato de ele ser um fugitivo por assassinato.
Pessoas que sofrem de fobia social podem ter co­nhecimento de que seus medos sejam excessivos, no en­tanto temem lidar com situações nas quais seja necessá­rio exposição social.
A ciência se tem utilizado de diversas técnicas para o tratamento do medo ou fobia social, através de medicamentos que amenizam os sintomas da ansieda­de, esses medicamentos devem ser ministrados unica­mente por médicos e deverão obedecer à individualida­de de cada paciente, existem também tratamentos com acompanhamento de psicólogos que atuam com a técni­ca conhecida como Terapia cognitivo - comportamental (TCC). A psicanálise também tem sido uma solução para alguns casos, pois muitos são acometidos de fobia social originada por traumas ocorridos na infância que, quan­do identificados através da análise, passam a ser contro­lados e dirimidos.
O tratamento psicanalítico feito paralelamente com uso do medicamento e acompanhamento terapêu­tico aumenta em muito a possibilidade de melhora.
Encarando de frente o medo da rejeição
Embora tivesse muitos motivos contrários, Moisés aceitou o mandamento do Senhor, uma vez que ele pôde ver as maravilhas feitas pelo Todo Poderoso (Ex 4. 3-7). A Bíblia ainda nos fornece um grande exemplo de vitó­ria sobre o medo da rejeição quando nos fala acerca de Zaqueu, que deu passos importantes em direção àquilo que via como essencial para uma vida feliz.
O primeiro passo dado por Zaqueu foi ir ao encon­tro do Senhor, pois sabia que, mesmo com tudo que ele tinha contra si, (Lc 19. 2), Jesus jamais o rejeitaria e ali estava quem realmente pode nos livrar de todo tipo de sentimento negativo, ao saber da passagem de Cristo por Jericó, Zaqueu não pensou duas vezes; foi ter com o Mestre, venceu a sua deficiência física e procurou se apresentar a Ele, (Lc 19 1-4).
Mesmo havendo muitas pessoas que tinham uma grande repulsa por Zaqueu naquele lugar, ele não se deixou levar por qualquer tipo de medo da rejeição que se pudesse fazer presente em sua alma, pelo contrário desceu da árvore e recebeu Jesus com um abraço saben­do que, a partir daquele instante, as coisas começariam mudar em sua vida. Quando recebemos o Senhor, tornamo-nos participantes do seu amor e sentimos que o ver­dadeiro amor lança fora todo medo, assim sendo, somos revigorados para qualquer projeto que Deus tenha para nossa vida, (I Jo 4. 18), "No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor." Após experimentar o gozo que é estar na presença do Senhor, Zaqueu não teve medo de abrir mão daquilo que considerava mais importante na sua vida, (Lc 19. 8), "E, levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplica­do.", pois havia descoberto algo de maior valor a palavra de Jesus deu a certeza que Zaqueu esperava, nenhum medo é motivo para que o homem abra mão das bên­çãos do Senhor em sua vida, (Lc19.9-10). Aprendemos até aqui que não é difícil alguém com tanta importância para Deus como Moisés ficar preso em seus medos, to­davia também descobrimos que se entregarmos a Ele nossa vida inteiramente, ao exemplo de Zaqueu, esta­remos livre de qualquer tipo de medo que possa tentar nos assombrar. Sempre que pudermos, devemos valori­zar a busca por ajuda de profissionais capacitados e com conhecimento científico que estão aptos a nos ajudar a descobrir a origem de nossos medos. Hoje pela Graça de Deus temos muitos servos de Deus munidos deste co­nhecimento e capazes de realizar esta tarefa.

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