Aos trinta e um dias do mês de outubro do ano de dois mil e três estávamos em família na casa do pastor Cláudio Fernandes de Assis em Manaus, Amazonas, quando o Espírito do Senhor tocou fortemente no pastor Cláudio para irmos para a selva de Uberé. Então o pastor exclamou: “Evangelista Messias, levanta troque a sua roupa e vamos partir para dentro da selva!”. Entretanto, a hora já era avançada e tínhamos de apressarmos antes que a noite caísse. Saímos da Vila Buriti-Manaus, onde residimos e no caminho em um ponto de ônibus encontramos o Presbítero Dávisson Motta, que vinha nos visitar em seu veículo, porém tendo conhecimento da missão mostrou interesse dizendo: “Pastor Cláudio, posso ir também?” respondeu o Pr Cláudio: “És bem vindo, meu filho!”. Em tudo isso vimos a providência de Deus para conosco na presença do Presbítero Dávisson acompanhando-nos em seu veículo.
Rapidamente, tomamos algumas providências: convocamos o diácono Washington e o Auxiliar de Trabalho André para assumir a direção do ponto de pregação. Às treze horas e trinta minutos partimos para nossa missão. Na estrada, a viagem foi tranqüila, pois a mesma era bem asfaltada. O nosso ponto de chegada seria o ponto final do ônibus Jorge Teixeira, após teríamos de caminhar 25 km em uma estrada de barro chamada de “Ramal oito” até chegarmos à entrada da selva propriamente dita, que conduzia à comunidade de nossos irmãos onde está sendo fundada mais uma congregação do nosso ministério naquela comunidade. Encontra-se por lá mais de quinze famílias isoladas da sociedade, mas que aguardam o nosso apoio missionário.
Deixando o asfalto e seguindo, com dificuldades, pela estrada de barro com buracos, lombadas e troncos de árvores ao longo da mesma, paramos para nos alimentar com um lanche rápido e aproveitando para comprar, rapidamente, alimentos para levar ao nosso irmão Edmilson e família antes que a noite nos atingisse. Como a mata era fechada tivemos que praticamente desbravá-la. Com o atolamento do veículo tivemos que sair do mesmo para empurrá-lo, tornando a viagem mais demorada, pois tivemos que colocar troncos de árvores no buraco em que os pneus atolaram.
Estávamos preocupados com o avanço da hora, pois estava escurecendo. Entretanto, seguindo em frente, em meio à densa selva, alcançamos uma casa onde deixamos o veículo e seguimos a pé. Agora era o momento de andarmos por trilhas estreitas onde somente um ser humano passava por vez. O Pr Cláudio liderava o grupo, logo após o Pb Dávisson, em seguida o Evangelista Messias. Orávamos ao nosso Senhor Jesus que era, e é poderoso para nos livrar de todo mal, pois os perigos eram desconhecidos e muito tenebrosos. Quase nos perdemos dentro daquele terrível, sinistro e medonho ambiente, todavia o Espírito nos guiou na direção correta. Glória a Deus!
Não tivemos tempo para providenciar os equipamentos necessários a esta árdua missão, contávamos apenas com o camuflado do quartel e bolsas com bíblias.
Ora, a nossa chegada foi emocionante, os cães locais começaram a ladrar, sinalizando a nossa vitoriosa chegada. Fomos recebidos por um membro da família que gritava: “Irmão Edimilson, o pastor Cláudio chegou!”. Com muita alegria o irmão Edimilson veio ao nosso encontro bradando: “Obrigado Senhor por trazer os teus servos aqui!” Após um curto diálogo, pedimos ao irmão para nos conduzir a um igarapé (um rio que corta a mata), ali tomamos um banho de vinte minutos. Então nos dirigimos para a casa do irmão Edimilson onde jantamos feijão de praia e guisado com batatas. O amor superava as condições. O irmão Edimilson vive a dez anos no Úbere dormindo em redes, no qual também nos ofereceu as mesmas para passarmos a noite. Todavia, antes de recolhermos fomos a um lugar limpo e arejado para uma oração. Foi uma benção, pois o Senhor nos visitou. A lua era a nossa única fonte de iluminação. Tivemos uma noite tranqüila. Graças a Deus!
Pela manhã bem cedo fomos observar o terreno que fora doado à congregação. O mesmo fica ao lado da casa do irmão Edimilson onde será fundada mais uma de nossas congregações. Seguimos em direção à Puraquequara, andamos por uma hora por dentro da selva até chegarmos nesta localidade. Os perigos são muitos, mas a recompensa é maior da parte de nosso Deus. O lugar é de difícil acesso, entretanto, há vidas carentes de Deus desejando paz e salvação. Não existe ali nenhuma igreja, a mais próxima seria arriscar a travessia pelo Rio Negro.
Depois de uma longa jornada chegamos ao igarapé de Puraquequara onde residem os irmãos: Pedro, Maria de Fátima, Jorge, Manoel e mais seis crianças, todos sem congregar; a situação desta família assim como a de outras é terrivelmente precária. Não podemos deixar de relatar a triste situação que presenciamos do senhor Antônio, que teve seus dedos perdidos devido à lepra, contudo teve o prazer em nos receber.
A nossa intenção nesta árdua missão foi de apoiar a todos dessa comunidade, principalmente, nossos irmãos membros da nossa igreja, que se encontra em grande dificuldade de acesso a nós, congregação estruturada na capital Manaus.
No mais, nos despedimos fraternalmente em Cristo.
Pr Dávisson Motta