sexta-feira, 10 de outubro de 2014

O AGIR DE UM DEUS SOBRENATURAL

O agir de um Deus sobrenatural


Texto Áureo - IICo 4:18 Não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não vêem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas.
 
Verdade Aplicada - Um milagre é uma ação que acontece dentro da experiência humana onde as operações da natureza se tornam inertes por ocasião de uma intervenção Divina.

Texto de Referência - Salmo 77:11-16 - Eu me lembrarei das obras do SENHOR; certamente que eu me lembrarei das tuas maravilhas da antiguidade. Meditarei também em todas as tuas obras, e falarei dos teus feitos. O teu caminho, ó Deus, está no santuário. Quem é Deus tão grande como o nosso Deus? Tu és o Deus que fazes maravilhas; tu fizeste notória a tua força entre os povos. Com o teu braço remiste o teu povo, os filhos de Jacó e de José. (Selá.) As águas te viram, ó Deus, as águas te viram, e tremeram; os abismos também se abalaram.

Milagres, uma ferramenta do povo de Deus.
Quando Moisés foi convocado por Deus para resgatar o povo de Israel do Egito, ele lançou mão de uma série de argumentos, a fim de justificar sua incapacidade de concluir tão missão. Em determinado momento, por exemplo, Moisés disse ao Senhor que o povo não acreditaria em suas palavras, mesmo elas sendo as PALAVRAS do próprio “EU SOU”. Deus então concede a Moisés uma capacitação espiritual poderosíssima, afim de que ele operasse sinais e maravilhas (Êx 4:1-9). Uma vez diante de seus incrédulos ouvintes, que relutavam em aceitar e crer nas palavras do enviado de Deus, Moisés pode usar deste recurso especial, que definitivamente atrai a atenção de toda aquela gente para si. É verdade que a palavra falada é que trouxe toda a diretriz do plano libertador traçado por Deus, mas foram os atos miraculosos promovidos por Moisés (transformar um cajado em serpente, promover uma doença infecciosa no seu próprio corpo e a curar imediatamente, e ainda transformar água em sangue), que lhe trouxe credibilidade junto aos hebreus e provocou temor nos Egípcio. A capacidade de realizar proezas sobre humana é uma das maiores ferramentas que Deus disponibilizou aos seus servos ao longo de toda a história. Patriarcas, juízes e profetas utilizaram em larga escala deste recurso para os fins mais diversos, como livrar Israel de um inimigo, prover sustento ao povo, ajudar pessoas desesperadas, humilhar deuses pagãos e desafiar reinados ditatoriais, visando sempre, a glória de Deus e a oblação do nome poderoso do Senhor.
Com a IGREJA essa realidade não é diferente. Embora muitas acreditem que os milagres não são para os nossos dias, a Bíblia nos diz exatamente o contrario. João registra uma promessa maravilhosa feita pelo próprio Jesus, onde o Messias enfatiza que aqueles que crêem nele, podem sim realizar as mesmas obras por ele realizadas, e ainda avançar para coisas maiores (Jo 14:12). Considerando que em sua passagem sobre a Terra, Jesus trouxe curou cegos, aleijados, mudos e leprosos, expulsou demônios promovendo libertação, andou sobre o mar, transformou água em vinho e ressuscitou mortos, então podemos concluir que o potencial miraculoso que reside no cristão é extraordinário. Quando comissionou seus discípulos a continuem a obra por ele iniciada, Jesus concedeu a aqueles homens poder e autoridade, além do respaldo de sua presença divina. Com essa legalidade espiritual e fazendo do nome de Jesus, os seguidores de Cristo tornam-se capazes de curar enfermos, expulsar demônios, falar idiomas específicos e sobreviver a investidas mortais de possíveis inimigos (Mc 16:17-18/Lc 10:19). Em sua primeira carta aos coríntos, Paulo lista nove habilidades sobrenaturais, chamadas de “dons do espírito”, que são entregues a membros do corpo de Cristo, visando à edificação de toda a igreja e a proporcionando meios de impactar o individuo mediante feitos inumanos, que comprovam a atuação de Deus através deste povo. Dentre as nove capacitações citadas pelo apostolo, duas delas tem por finalidade a realização de feitos milagrosos para aperfeiçoamento da fé: Dons de Cura e Dons de Operação de Maravilhas (ICo 12:8-9). Se toda a nossa fé esta centrada em Jesus e abalizada pelas suas palavras, temos também que crer na atualidade dos milagres, pois a verdadeira igreja não teve mudanças em sua essência, a obra que lhe foi confiada ainda é a mesma e as ferramentas disponibilizadas aos primeiros cristãos para viabilizar este trabalho, ainda estão em perfeito estado de conservação. A diferença é que pela incredulidade latente nos dias de hoje, preferimos uma zona de conforto, e assim, embora nossa mensagem diga que Jesus opera grandes milagres, na pratica, pouco trabalhamos que os mesmos acontecem, e com isso perdemos a chance de mudar o pensamento desta geração incrédulo, que talvez de presenciassem a teórica do milagre se tornando em um “fato”, seria realmente impactada pelo evangelho. Pois se contra a PALAVRA, muitos intelectuais e religiosos tecem teorias e levantam duvidas, contra um Milagre, fica difícil pautar em contrapartida. E esta é sem duvida, a principal contribuição que a realização de obras miraculosas pela igreja, traz para o Evangelho de Jesus.
A crença nos milagres bíblicos sempre foi uma característica central da fé cristã (Jo 4.48). Sabemos que milagres não são acontecimentos do passado, pois estão presentes no dia a dia da igreja cristã. Neste trimestre estudaremos apenas alguns milagres registrados no Antigo Testamento a fim de extrair deles grandes revelações para edificação da nossa fé.

Milagres, sua origem e  significado
Por que Deus se apresenta com sinais tão maravilhosos? O que Ele deseja que venhamos compreender quando os realiza? (Rm 1:19-20). Segundo Tomás de Aquino “quando Deus faz qualquer coisa contrária à ordem da natureza que nós conhecemos e estamos acostumados a observar, nós chamamos de milagre”. Poderíamos definir milagres como: “intervenção sobrenatural no curso usual da natureza; uma suspensão temporária da ordem natural, mediante o agir de Deus”. A palavra milagre encontra sua raiz no latim “miraculum” que significa “ver, olhar”. Para os latinos “miraculum” representava as coisas prodigiosas que escapavam a seu entendimento como: os eclipses, as estações do ano, e as tempestades (At 2:20). “Miraculum” provém de “mirari”, que em latim significa: “contemplar com admiração, com espanto, ou com surpresa”. Assim, do ponto de vista etimológico, a palavra milagre não tem necessariamente relação com alguma intervenção divina, ela está ligada ao assombro diante do inefável. Segundo o cristianismo, um milagre é uma intervenção Divina, onde de forma sobrenatural e extraordinária, Deus manifesta sua soberania e amor para com os seres humanos, um ato sem explicação científica razoável. Cada um dos dons do Espírito é milagroso. São todos sobrenaturais. No sentido geral da palavra “milagres”, todos os dons do Espírito são milagres, mas no sentido etimológico o dom de operação de milagres é um ato específico. Por exemplo, quando Eliseu dividiu as águas do rio Jordão com um golpe do seu manto, ocorreu uma operação de milagre! Houve uma intervenção no decurso usual da natureza. Não conheço maisninguém que com um golpe de uma capa abrisse um caminho pelo meio de um rio. (IIRs. 2:14).
No Antigo Testamento, o milagre é definido pelo menos por três termos: “teraton”, indicando prodígio como uma intervenção que reconhece a ação do Senhor; “thaumasion”, que expressa melhor à provocação do assombro; e “paradoxon”, que acentua a dimensão da surpresa inesperada. Em qualquer caso, o milagre é um ato pelo qual Deus se dá a conhecer ao homem, que se encontra maravilhado e espantado diante destes sinais de grandeza (Êx 6:6-8). Teologicamente, os milagres têm uma finalidade: eles acontecem para que o crente reconheça a atuação miraculosa como manifestação da Soberania Divina. O objetivo do milagre é antes de tudo, revelar a Soberania Divina, seu amor e misericórdia; ele revela a ação ininterrupta do Pai pela qualidade de vida dos seus filhos, conforme Jo 20:30-31.
O milagre antecipa a situação de um futuro escatológico, onde não haverá enfermidade, nem sofrimento, nem morte, senão a vida (Ap 21:4). Os milagres são sinais visíveis da antecipação do Reino entre nós (Lc 10:19; 11:20). Eles possuem, portanto, um valor de revelação, na medida em que expressam o poder e a glória de Deus sobre a criação. Assim, pois, o milagre segue sendo um sinal que provoca a reflexão e o discernimento; ele não é realizado somente na ordem da natureza ou na parte física da pessoa, também se manifesta sobre tudo, no silêncio da transformação do coração humano. O milagre é a intervenção livre de Deus dentro da criação, e no homem para expressar a vitória sobre o mal e a chamada a participação em seu Reino. O milagre se distingue do prodígio: na verdade, ele tende a enfatizar o caráter extraordinário e portentoso de um evento, enquanto que o prodígio é um chamado para que à fé se torne mais genuína e se reconheça a presença de Deus.
Curas, sinais e maravilhas
Uma vez entendido que um milagre pode ser definido como uma intervenção sobrenatural no curso usual da natureza ou uma suspensão temporária da ordem costumeira através da intervenção do Espírito Santo, podemos concluir que toda manifestação espiritual através dos DONS pode ser considerado um milagre. Mas o DOM específico de OPERAÇÃO DE MARAVILHAS, que pode também ser chamado de OPERAÇÃO DE MILAGRES ou OPERAÇÃO DE PODERES, e que no original grego significa “explosões de onipotência”, tem como propósito demonstrar o poder e a grandeza de Deus de forma inquestionável, a ponto de “estontear” quem a testemunha, e é o único DOM que leva o indivíduo que o recebe a participar de uma pequenina parcela do poder de Deus, o mesmo poder usado na criação do mundo. Porém, milagres também são encontrados em escalas menores, em situações mais localizadas e por vezes, chega até mesmo a passar despercebido. Vivenciamos milagres desde a fecundação e nossa vida pode ser definida como uma sucessão constante de milagres. Infelizmente, muitas vezes, nossa megalomania religiosa só valoriza a atuação divina em obras portentosas ou sinais de abrangência cósmica, mas é preciso uma atenção especial para perceber o trabalhar cuidadoso de Deus até mesmo na mais micra das questões. Somente quando nos atentarmos a esse cuidar diário por parte de nosso Deus, que passaremos a desenvolver o senso da gratidão, e com isso atrairemos sobre nossas vidas, bênçãos cada vez maiores. Leitores atentos dos evangelhos irão notar que Jesus revelou seu aspecto divino progressivamente, operando milagres discretos antes dos mais retumbantes, afim de seus seguidores o reconhecessem como Filho de Deus, primeiramente nas coisas pequenas. Essa é a prova de fogo do cristianismo, desenvolver a fidelidade no pouco, para só então ser introduzido no muito (Mt 25:21). Até mesmo os mais impactantes milagres de Jesus, ou seja, a “ressurreição dos mortos”, se deu de forma estratégica, aumentando a intensidade dos efeitos paulatinamente.  Primeiro, num quarto fechado, Jesus ressuscitou a filha de Jairo, tendo como testemunhas, nada mais que uma meia dúzia de pessoas (Mt 9:18-26). Depois, diante de uma cidade inteira, Jesus chamou de volta para a vida, o filho morto de uma pobre viúva (Lc 7:11-15). Posteriormente, a nação de Israel foi impactada com a espantosa história de Lazaro, um homem que após quatro dias, foi retirado com vida da sepultura, por intervenção de seu amigo Jesus (Jo 11:1-46). Finalmente, Cristo divide definitivamente a história da humanidade quando ressurge vivo, após três dias no seio da terra, provando de forma irrefutável seu poder sobre a morte (Lc 24:5). Finalmente, num futuro próximo, uma ressurreição em massa trará de volta todos os que dormiram em Cristo, em decorrência do arrebatamento da igreja (ITs 4:13-17). Portanto, independentemente do tamanho da intervenção divina, ou do impacto que ela cause, é preciso sabedoria para entender que milagre é sempre milagre, mesmo que receba nomes ou conotações diferenciadas.
É imprescindível conhecermos as definições de alguns termos para entendermos de forma mais ampla tanto a profundidade do evento quanto a diferença que existe quando nos referimos aos milagres operados pelo Criador. Vejamos:
Cura: O grego do Novo Testamento apresenta muitas palavras que descrevem os processos de cura. Vamos nos deter apenas em três principais. São elas: “iasis” - que descreve o ato de curar (Lc 13:32); “therapeúo” - que significa curar, honrar. É dessa palavra que se deriva a palavra terapia (Lc 9.11); “iáomai”- que é um termo muito mais completo, pois não engloba somente a cura física, mas inclui ser livre de pecados, ou ser salvo (At 10:38). Neste sentido, a cura se manifesta tanto como um dom na vida dos cristãos, quanto como um direito legal outorgado pelo sacrifício vicário de Jesus Cristo. Um milagre jamais nasce de cálculos racionais, ele sempre está ligado a uma atitude de fé (Hb 11:1-3). O Sino Naamã, não mergulhou sete vezes no Jordão porque foi convencido pela medicina; Paulo teve que ver algo extraordinário diante de si para abandonar todo o curso de sua vida e seguir aqueles a quem tinha por hereges.
Sinal Divino: A palavra sinal vem do grego “simeion” que indica a marca do poder sobrenatural de Deus, é o selo pelo qual uma pessoa é conhecida, ou se distingue das demais (Mt 12:38; 16:1-4). Esse termo “simeion” é usado para exemplificar um prodígio de maneira incomum e que transcende o natural (At 6:8). Deus realiza sinais para autenticar a missão daquele a quem enviou. Quando Moisés foi comissionado por Deus para livrar Israel do Egito, ele apresentou para Deus sua dificuldade: “mas eis que não me crerão, nem ouvirão a minha voz” (Êx 4:1). Os milagres credenciavam tanto Moisés quanto sua mensagem (Êx 3:20; 4:11-21).
Maravilhas: “E disse o SENHOR a Moisés: Quando voltares ao Egito, atenta que faças diante de Faraó todas as maravilhas que tenho posto na tua mão” (Êx 4:21). Em grego se utiliza o vocábulo “terás” para maravilhas, esse é um adjetivo que sempre é usado no plural. “Terás” descreve algo estranho, que deslumbra ou assombra ao espectador, e cuja procedência se atribui a um ato Divino. É conhecido de todos os estudiosos que a operação de maravilhas está alicerçada somente na fé de quem tem sobre si esse dom ou qualificação Divina, o qual dispensa a fé do beneficiado. Quem será que não se assombrou ao ver um caminho no meio do mar e dois muros feitos de água, como se houvesse uma mão a segurá-lo até que todos estivessem a salvo? Existem expositores que afirmam que os milagres já se encerraram, e que duraram até a era apostólica. Eles afirmam que hoje não é mais preciso milagres, porque o povo já tem toda a revelação que precisa para crer no Senhor. As Escrituras não ensinam que os milagres cessariam com os apóstolos, Jesus disse que faríamos obras maiores (Jo 14.12). Tanto os sinais quanto a salvação pertencem à promessa de Jesus no texto de Mc 16.16-17.

 O poder sobrenatural de Deus
Jesus nos deixou como herança uma igreja que evangelizava e que estabelecia seu reino usando um poder sobrenatural como ferramenta principal e inseparável. Mas infelizmente, com o passar do tempo, algumas idéias humanas foram sendo introduzidas na igreja, e esse poder sobrenatural foi posto de lado (Lc 10:9-19). No grego a palavra poder é “dunamis”, que também significa: força poderosa, potência ou habilidade inerente ao poder. “Dunamis” é a capacidade de realizar milagres. É o poder de Deus, a Sua habilidade sobrenatural, Seu poder explosivo, Seu poder milagroso. Atualmente, muitas igrejas se mostram negativas a esse poder, porque uma grande soma de cristãos do nosso século jamais presenciou um milagre físico ou uma obra sobrenatural. As metodologias humanas estão substituindo o “dunamis” de Deus, e o resultado é: estamos gerando cristãos sem uma experiência sobrenatural, pessoas enfermas, fracas, e oprimidas em nosso meio. O que nos difere das demais religiões é a mensagem de poder e impacto (Mt 12:24; Mc 6:7; Rm 1:16; IICl 4). Todos os movimentos cristãos, sem importar sua denominação, começaram com uma visitação sobrenatural de Deus, se isso não ocorresse jamais teriam impactado o mundo. Mas onde se encontra esse poder hoje? Quantos ainda desfrutam dele? O que aconteceu? Parece que com o passar do tempo o carnal substituiu o espiritual (Gl 3:3).
Quando falamos do sobrenatural devemos ter em mente o nível em que Deus habita. Milagres para Deus são coisas comuns, nós os denominamos como milagres porque nosso nível está totalmente abaixo daquele em que o Criador está. Só existe uma maneira de viver de forma diferenciada, é se ajustando ao nível em que Ele está. Quando o Senhor conduziu Ezequiel ao vale de ossos secos, Ezequiel foi levado em espírito. Deus o colocou num nível elevado para que visse aquilo que aos olhos carnais jamais entenderia. Ezequiel viu o império da morte, mas no nível em que estava proferiu a palavra de vida (Ez 37.1-11). Não podemos discernir Deus com cálculos humanos. Deus é espírito, e é no espírito que Ele se revela, conforme Jo 4:24.O poder de Deus foi repartido a Sua Igreja para propósitos sérios e específicos que estão diretamente relacionados à propagação de seu Reino na terra (lJo 2:20-27). Devemos lembrar que a “unção” representa para todos nós uma grande responsabilidade. Quando uma pessoa é investida de autoridade, deixa de ser uma pessoa comum e passa a ser vista de forma diferente pelos demais. Essa “unção” lhe dará uma autoridade que antes não possuía, e caso venha usá-la de forma indevida, tanto poderá trazer sérios danos para si quanto para os demais. Noé foi chamado por Deus para salvar o mundo e sua missão foi construir uma arca. Mais tarde plantou uma vinha, com o vinho produzido se embebedou e amaldiçoou seu filho. Quando foi responsável salvou o mundo, quando foi irresponsável amaldiçoou sua família (Gn 6:17-18; 9;21-25). Lembre-se: Unção não é autopromoção é responsabilidade!
Cuidados Especiais
Alguns cuidados devem ser tomados para que este poder seja usado com sabedoria. Impreterivelmente, o cristão deve usar a Bíblia como seu referencial de vida e guia de sobrevivência aqui na terra. É nela que se inicia e se encerra as ordenanças de Deus aos homens, e os preceitos que norteiam nossa fé. ICr 1:18-25, evidencia que a  origem do poder que em nós opera esta na PALAVRA DO EVANGELHO, e qualquer operação miraculosa que não seja embasada por ela, é passível de descrédito. Também não podemos esquecer que um milagre genuíno, está intrinsecamente ligado a um propósito específico, pois milagre sem propósito não passa de show de mágica. Obviamente, todo milagres, de alguma forma é espetacular, mas este espetáculo, na atuação espiritual, precisa promover mudanças profundas na espiritualidade do indivíduo, caso contrário, soará banal.  Um belo exemplo está registrado no livro apócrifo chamado “Evangelho da Infância de Jesus”, onde é possível encontrar algumas bizarras histórias de milagres sem nenhum propósito. Uma das mais interessantes narra um “milagre” curioso que “teria” sido realizado pelo pequeno Jesus, que juntando um pouco de barro, modelou caprichosamente um pássaro para depois lhe dar vida e vê-lo sair voando rumo ao céu... Embora seja uma bela história, a mesma não é aceita no cânon sagrado, pois vai na direção oposta de tudo que sabemos sobre Jesus. O Mestre, embora fosse um Deus entre os homens, nunca se utilizou de seus poderes divinos para outros meios, se não abençoar vidas e engrandecer o nome do Pai. Logo é difícil imaginá-lo dando vida a um pássaro de barro, para simplesmente “testar o seu poder”, pois isso não passaria de um grande número de mágica, ou espetáculo pelo espetáculo. Em contra partida, o capítulo sete do evangelho de Lucas, nos conta que ao entrar na cidade de Naim, Jesus se deparou com o cortejo fúnebre, do filho de uma viúva. Ele parou a multidão, dirigiu-se ao menino e o trouxe de volta a vida. Este fato, além de devolver a alegria (e o sustendo) a uma pobre mulher que estava fadada a amargar um imenso sofrimento, ajudou a espalhar o evangelho por toda a Judéia, ou seja, um milagre com propósito. Além da ressurreição de mortos, a Bíblia fala sobre operações maravilhosas para exercer castigo ou juízo (At 5:3-11; 13:7-12), como intervenção nas forças na natureza (Êx 14:21; Mc 4:35-41) e como investida contra as ações de Satanás (Jo 6:2).
Outro cuidado de imprescindível relevância, e as prioridades da igreja em sua atuação através da capacitação espiritual. A PALAVRA DE DEUS é superior a qualquer tipo de milagres. Embora curas, sinais e prodígios devam acontecer com freqüência em nosso ministério, devemos tomar muito cuidado para não supervalorizarmos o milagre e usá-lo como bússola para nortear nossa vida. Sinais e maravilhas são meios que o Senhor usa para se manifestar ao seu povo, tendo como ferramenta as mãos e a boca de alguns indivíduos agraciados, mas não são eles os parâmetros indicativos para o desejo de Deus sobre nós. Logo não podemos nos tornar “reféns” dos milagres, buscando desesperadamente alguém que os realize e nem mudar nossa postura cristã quando um milagre não acontece. Nossa vida deve ser lapidada, regida e conduzida pela “PALAVRA” e não por manifestações megalomaníacas de poder. A revista Ensinador Cristão nº 45 assim define essa questão: “Os sinais seguem aqueles que creem e seguem a Palavra de Deus, e não os que creem e seguem os milagres”. Os que vivem puramente atrás dos milagres e se esquecem de quem os opera, pode se deparar com operações enganosas e fraudulentas, pois Satanás também tem a capacidade de realizar grandes obras. Tomados os devidos cuidados, a Igreja, precisa urgentemente recolocar em pratica a operação de maravilhas em larga escala, pois o tempo urge, a volta do Senhor está próxima e ainda há muitas almas para serem alcançadas. Portanto, “todas” as ferramentas disponibilizadas pelo Espírito Santo à Igreja, devem ser usadas com esmero, e se possível, até a exaustão. 
O poder de Deus está à disposição de todos nós (Jo 14:12). Milagres não são coisas do passado, eles sempre serão uma realidade na vida de todo aquele que crê (Mc 16.17). Um dos propósitos mais importantes pelo qual Deus nos ungiu foi para nos tornar testemunhas de Seu poder. Que os sinais nos sigam por onde passarmos (At 1:8).


quinta-feira, 14 de agosto de 2014

A visão de um líder chamado por Deus

LIÇÃO 7 – 17 de agosto de 2014s


TEXTO AUREO - "Então o Senhor me respondeu, e disse: Escreve a visão e torna bem legível sobre tábuas, para que a possa ler quem passa correndo”. Hc 2.2

VERDADE APLICADA - Visão é a capacidade de ver não somente o que é, mas o que pode vir a ser uma realidade.

TEXTOS DE REFERÊNCIA Gn 15.3- 7: Disse mais Abrão: A mim não me concedeste descendência, e um servo nascido na minha casa será o meu herdeiro. 4 - A isto respondeu logo o Senhor, dizendo: Não será esse o teu herdeiro; mas aquele que será gerado de ti será o teu herdeiro. 5 - Então, conduziu-o até fora e disse: Olha para os céus e conta as estrelas, se é que o podes. E lhe disse: Será assim a tua posteridade. 6 - Ele creu no Senhor, e isso lhe foi imputado para justiça. 7 - Disse-lhe mais: Eu sou o Senhor que te tirei de Ur dos caldeus, para dar-te por herança esta terra.
A Visão Permanente, Hc 2.2,3 Então o Senhor me respondeu: "Escreva claramente a visão em tábuas, para que se leia facilmente (para que a possa ler quem passa correndo). Pois a visão aguarda um tempo designado; ela fala do fim e não falhará. Ainda que demore, espere-a; porque ela certamente virá e não se atrasará". O Senhor respondeu sem reprovar Habacuque por sua queixa. A resposta veio-lhe na forma de visão, ou seja, uma profecia ou revelação. Tinha de ser escrita em tabletes, não em tábuas - primeiro, para que todos pudessem ler; e segundo, porque era para o futuro. Os tabletes eram de barro cozido, e tinham grande qualidade duradoura. Já houve quem sugerisse que o uso habitual de tais tabletes era para notificações públicas. Torna-a bem legível é referência a Dt 27.8 diz respeito a “escrita clara é precisapara que a possa ler o que correndo passa. Lehrman traduz esta frase assim: “Para que a possa ler num instante”. Adam Clarke contesta esta ideia com base em que Deus nunca quis que suas palavras fossem entendidas pelos indiferentes e negligentes. Argumenta que a Bíblia não deve ser lida como uma tabuleta, mas com estudo, meditação e oração. Na sua interpretação, as palavras dizem que quem lê atentamente faz com que sua vida seja salva sem demora do ataque caldaico. Outros entendem que o texto significa que quem lê pode correr e anunciar a mensagem a todos que estiverem ao seu alcance. Há estudiosos que dizem que é uma expressão idiomática do hebraico. Porque a visão é ainda para o tempo determinado. A visão é para o futuro e é direcionada para o fim. A visão propriamente dita é personificada, a segunda frase é traduzida literalmente: “Anela em direção ao fim”. O verbo na frase não mentirá é o mesmo usado para referir-se aos rios que secam no verão. Esta profecia avança avidamente para sua realização, e não “secará” até que seja cumprida. O profeta acrescenta ânimo à paciência para que o leitor não desfaleça na espera, mesmo que demore. De acordo com Driver, a palavra tardar significa, literalmente, “estar atrás”, para confirmar que o cumprimento chegará na hora certa, não se atrasará. “Virá, se não na época de Habacuque, no tempo de Deus”. Vislumbramos novamente que a filosofia profética da história é linear, com um ponto terminal. Os gregos antigos julgavam que a história era circular, e constituía “a imagem movente da eternidade” (Platão). Muitos, na atualidade, acham que a história não tem sentido, porque não vai a parte alguma. Ao contrário destes, o profeta crê que a história está sob o controle divino e move-se em direção a um ponto culminante, quando “o julgamento justo de Deus será revelado”. Ainda que o pensamento apocalíptico, ao qual isto alude, surja especialmente em períodos de perseguição, a tradição hebraico-cristã é de essência inteiramente apocalíptica.

Introdução - Quando Deus chamou Abraão, deu-lhe um encargo e lhe fez grandes promessas. A partir de então, uma visão passa a dar sentido a sua vida. Todavia, essa visão precisava se desenvolver e tomar forma, vindo a tornar-se clara com a experiência do tempo e do convívio ao lado de Deus. O desenvolvimento e a compreensão dessa visão fizeram de Abraão um homem esperançoso e cheio de fé no Deus que chama a existência as coisas que ainda não são.
Embora convencido de que comunicar adequadamente a visão ministerial tenha um papel importante no cenário eclesiástico, minha reflexão aqui se dará mais no campo da legitimidade da visão ministerial e do próprio líder à frente do ministério em questão. Visões ministeriais legítimas transmitidas por líderes legítimos deveriam ser o fundamento dos ministérios que prevalecem, pois a essência deve preceder a estratégia de comunicação no que tange a obra de Deus. Entretanto, esta nem sempre é a realidade estabelecida no cenário eclesiástico nacional e mundial. O entusiasmo na comunicação, a paixão pela realização, assim como o carisma persuasivo do pastor podem comunicar de maneira contagiante uma visão ministerial, mas infelizmente podem também estar divorciados da verdade Bíblica e, portanto, da aprovação de Deus. A história tem demonstrado que pastores e líderes desqualificados e, portanto, ilegítimos também têm mobilizado com eficácia e persuasão, sendo na verdade agentes do inimigo nas suas investidas contra o Reino. Basta vermos as multidões que têm assimilado as visões ministeriais de várias seitas heréticas e até mesmo de várias igrejas que se distanciaram da sã doutrina adotando para si objetivos e caminhos que não são os de Deus conforme Sua Palavra.

1. A aquisição(adquirição) de uma visão - O que é uma visão? Visão é a habilidade de enxergar além do que nossos olhos físicos conseguem ver (Mc 6.34a "Quando Jesus saiu do barco e viu uma grande multidão"). A capacidade de não apenas ver o que é, mas também o que pode vir a ser realidade. E como se adquire uma visão? Visão é um conceito que é inspirado por Deus no coração de um ser humano. Nós podemos enxergar e ao mesmo tempo não ter visão (Is 6.9 Ele disse: “Vá, e diga a este povo: “Estejam sempre ouvindo, mas nunca entendam; estejam sempre vendo, e jamais percebam.). Vejamos alguns aspectos de uma verdadeira visão: É preciso enxergar, ver. Quando não se enxerga o que alcançar, nunca se alcançará. Jesus viu as pessoas e enxergou como ovelhas sem pastor (Sl 23.1,2 "O Senhor é o meu pastor; de nada terei falta. "Em verdes pastagens me faz repousar e me conduz a águas tranquilas;").

1.1. Deus a fonte da visão - Então o Senhor me respondeu: Escreva claramente a visão em tábuas, para que se leia facilmente.” (Hc 2.2). Deus é a fonte. Ele comunica a visão a seus servos, e, embora seus caminhos sejam desconhecidos, eles são sempre seguros. Pois as visões dadas por Deus são sempre perfeitas em seus propósitos (Am 3.7 Certamente o SENHOR, o Soberano, não faz coisa alguma sem revelar o seu plano aos seus servos, os profetas.). As visões divinas são coerentes(ligadas) com as circunstâncias e com o futuro desejável que Deus quer para seus filhos. Deus cria e modifica o futuro de seus filhos, a partir dessa visão desejável. Abraão, por exemplo, era um produtor e comerciante pastoril já bem sucedido em sua terra de origem (At 7.2-3 A isso ele respondeu: “Irmãos e pais, ouçam-me! O Deus glorioso apareceu a Abraão, nosso pai, estando ele ainda na Mesopotâmia, antes de morar em Harã, e lhe disse: 'Saia da sua terra e do meio dos seus parentes e vá para a terra que eu lhe mostrarei'.). Mas Deus transformou sua vida e a de muita gente por causa de uma visão a ele confiada. A visão cria prioridades (ela diz o que devemos fazer). Sem visão o povo perece (Pv 29.18 Onde não há revelação divina, o povo se desvia; mas como é feliz quem obedece à lei! - No hebraico significa assim: "onde não há visão profética, o povo perece". ). O maior bem que um líder dá a seus seguidores é uma visão. Hebreus 11.8 "Pela fé Abraão, quando chamado, obedeceu e dirigiu-se a um lugar que mais tarde receberia como herança, embora não soubesse para onde estava indo" nos diz que Abraão “saiu”. Saiu para obedecer o que Deus lhe havia dito. Ele saiu “Sem saber”. Isso significa que para obedecer não necessitamos “saber'. Necessitamos somente de vontade para caminhar naquilo que Deus nos mostra. Na medida em que caminhamos, a porta se amplia, a perspectiva se aclara, e podemos visualizar mais na medida em que avançamos. Muitos de nós não vamos além porque não queremos sair. “E não sair quando Deus diz é tão perigoso quanto sair quando Ele não diz”.

1.2. A visão de uma realidade futura (Gn 15.5) - Levando-o para fora da tenda, disse-lhe: “Olhe para o céu e conte as estrelas, se é que pode contá-las”. E prosseguiu: “Assim será a sua descendência”. Deus é quem projeta em nós a visão de uma realidade futura preferível (Ez 40.2 Em visões de Deus ele me levou a Israel e me pôs num monte muito alto, sobre o qual, no lado sul, havia alguns prédios que tinham a aparência de uma cidade.). Tanto o nosso presente quanto nosso futuro podem sofrer alteração mediante o poder de uma visão comunicada por Deus. As pessoas seguem e são influenciadas, porque acreditam na grandiosidade da visão que elas demonstram possuir. Essa visão sempre é maior que o visionário(Que crê em visões), sempre desafia o natural e o óbvio, gera esperança e, por isso, é tão contagiante. Jamais faltaram seguidores a Moisés, porque ele inspirava seus seguidores. Para o povo tudo era escravidão, mas para ele a liberdade era uma realidade visível, mesmo sob as mais turbulentas circunstâncias (Hb 11.27 Pela fé saiu do Egito, não temendo a ira do rei, e perseverou, porque via aquele que é invisível.).

1.3. Visão transformadora (Gn 15.6) - "Abrão creu no SENHOR, e isso lhe foi creditado como justiça". Abraão estava adiantado em idade juntamente com Sara sua mulher, e seu maior questionamento era a ausência de um herdeiro na família. Ele vai a Deus e questiona sua situação, Deus lhe compreende e lhe dá um entendimento diferente de sua promessa. Não seria o damasceno Eliezer, seu servo, o herdeiro de sua fortuna e sim aquele que viria nascer dele próprio. Para uma compreensão maior, Deus lhe convida a sair da tenda, lhe mostra as estrelas do céu, os grãos de areia do mar, fazendo-lhe entender que assim seria a sua descendência. Tal visão foi tão poderosa que mudou o interior de Abraão a partir dali. “Abraão creu no Senhor, e isso lhe foi imputado por justiça”. Embora a visão de Deus seja um retrato futuro, ela é poderosa para mudar o nosso íntimo. O que dizer de Paulo que sempre viveu movido por uma visão de uma realidade futura além do paganismo que imperava em seus dias. Ele ouvia o Senhor Jesus lhe dizer: “tenho muito povo aqui”, e, em cima dessa visão, trabalhava (At 18.9-10 "Certa noite o Senhor falou a Paulo em visão: "Não tenha medo, continue falando e não fique calado, pois estou com você, e ninguém vai lhe fazer mal ou feri-lo, porque tenho muito povo nesta cidade"). A visão dada por Cristo sempre nos motivará a sermos agentes transformadores.

2. O conteúdo de uma visão - Existe uma diferença muito grande entre visão e devaneio(Fantasia, delírio, imaginação). E a diferença está na origem, no conteúdo e no fim de ambos. Visão tem origem em Deus e nas suas promessas, e, embora se pareça utópica em dado momento da vida, ela difere de um devaneio, cujo produto é o resultado de fantasia mental ou de delírio. Uma visão afeta positivamente o relacionamento com Deus e a realidade, enquanto o devaneio sendo uma coisa utópica nada acrescenta.

2.1. A visão coloca os liderados em consonância(concordância, conformidade) com o líder(Jo 15.15) - "Já não os chamo servos, porque o servo não sabe o que o seu senhor faz. Em vez disso, eu os tenho chamado amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai eu lhes tornei conhecido". Existe um enorme abismo entre um sonhador e uma pessoa com visão. Um sonhador tem muitos sonhos e raras vezes converte esse sonho em realidade, enquanto que uma pessoa com visão, não somente tem sonhos, como também sabe como os converter em realidade (Dn 2.36 Foi esse o sonho, e nós o interpretaremos para o rei.). A fonte da visão espiritual de um líder não está em si mesmo, mas em uma revelação que vem da parte de Deus para dar sentido a sua vida. Sua visão deve ser mais que uma boa ideia, deve ser um destino inspirado por Deus (At 16.10 "Depois que Paulo teve essa visão, preparamo-nos imediatamente para partir para a Macedônia, concluindo que Deus nos tinha chamado para lhes pregar o evangelho".). E crucial para um líder aprender a distinguir de onde vêm seus recursos e sua força. Finalmente, deve saber que Deus é a origem de seu sonho ou sua visão. O conteúdo de uma visão divina e o interesse em realizá-la coloca criador e criatura em plena sintonia. A realidade presente de Abraão era de insegurança e medo, mas Deus se aproxima dele e lhe conforta por meio de uma visão (Gn 15.1 "Depois dessas coisas o Senhor falou a Abrão numa visão: "Não tenha medo, Abrão! Eu sou o seu escudo; grande será a sua recompensa!"). Deus conversa com ele e o anima, mostra-lhe as estrelas e as areias do mar como exemplos de um futuro glorioso, depois lhe pede um sacrifício de adoiução. O fato de Abraão cansar; e Deus passar como um fogo pelo sacrifício revela que Deus o ajudaria na realização de sua visão. Em tempos de dúvidas, Deus jamais abandona seus servos. Antes, Ele se aproxima, anima e reaviva as suas promessas (Gn 15. 5,6,11,12,17).

2.2. Deus trabalha para o cumprimento da visão (Gn 15. 9-10) - Respondeu-lhe o SENHOR: “Traga-me uma novilha, uma cabra e um carneiro, todos com três anos de vida, e também uma rolinha e um pombinho”. Abrão trouxe todos esses animais, cortou-os ao meio e colocou cada metade em frente à outra; as aves, porém, ele não cortou. A visão de Deus para Abrão tinha dois aspectos: primeiro, uma descendência numerosa. Ele creu e recebeu a justiça de Deus; O segundo aspecto era que daria a Abraão a terra de sua peregrinação. Interessante que neste ponto Abraão questiona como ele poderia ter certeza ou saber que isso lhe sucederia? De modo surpreendente Deus lhe dá uma receita específica de adoração (Gn 15.9-18). Nela havia alguns animais que ele deveria sacrificar, porém, algumas aves de rapina tentaram macular o sacrifício e impedi-lo de realizar. Abraão lutou, mas se cansou, e Deus completou com fogo divino o que Ele mesmo havia pedido. Isto nos alerta para as dificuldades de uma grande liderança, onde as hostes malignas sempre tentarão impedir nossos sacrifícios de adoração a Deus. Por outro lado, uma visão dada por Deus também é por Ele corroborada. Abraão dormiu, mas Deus não dorme! (SI 121.3-4 Ele não permitirá que você tropece; o seu protetor se manterá alerta, sim, o protetor de Israel não dormirá; ele está sempre alerta!). Quando Deus tem um projeto a realizar, está sempre se unindo a quem concedeu a visão para que esta se torne realidade (Gn 15.12,17). Muitas vezes, temos que digerir as coisas e isso leva tempo. É Deus quem opera o querer e o efetuar em nós. A visão celestial é como os trilhos de um trem, e teremos que percorrê-la por toda a vida. O efetuar é como se fosse a lenha necessária para o trem andar.

2.3. Líderes protegem a visão (Gn 15.11) - "Nisso, aves de rapina começaram a descer sobre os cadáveres, mas Abrão as enxotava". A adoração por meio do sacrifício foi o método eficaz para que Abraão tivesse certeza que seria herdeiro da terra de sua peregrinação. A primeira parte consistiu em ele obedecer sacrificando os animais pedidos. A segunda parte foi o fogo divino que passou entre aqueles pedaços. Essa foi a maneira de Deus confirmar a Abrão a sua visão a ele entregue. Quando um sonho é de Deus e fazemos a nossa parte, Deus se compraz em confirmar através do fogo. Agora é importante que assim como Abraão lutou para proteger o holocausto das aves de rapina, que eram uma oposição a seu destino profético, de igual modo, um líder deve proteger a visão que Deus lhe confiou. O que toma uma pessoa Líder é uma visão. Ele não apenas se relaciona com o presente, mas determina o seu futuro mediante tal visão. E ela que atrairá seguidores, mas nenhuma pessoa ajuizada seguirá outra pessoa que não tenha uma visão convincente, ou alguém que tenha devaneios.

3. Relacionando-se com a visão - A visão divina é para todo possuidor uma fonte de esperança. A função dos olhos é enxergar, mas a visão se estende além do globo ocular, quem a possui tem um alvo e um destino a chegar, vive e respira por ela, é incansável em sua caminhada, e nem mesmo a afronta e a presença da morte o pode desestimular. Abraão viveu por aquilo que Deus lhe mostrou. Ele tinha no coração a convicção de que era real e isso era sua força para viver. Vejamos alguns pontos importantes de como se relacionar com uma visão.

3.1. Um líder deve amar a visão, mas priorizar a fonte - A visão de um líder deve ser ultracontigencial, ou seja para além dos limites (Gn 13.14-17 "Disse o Senhor a Abrão, depois que Ló separou-se dele: De onde você está, olhe para o norte, para o sul, para o leste e para o oeste: toda a terra que você está vendo darei a você e à sua descendência para sempre"). Deve ser capaz de tornar o invisível em realidade, e o desconhecido em possibilidade. Todavia o visionário não pode esquecer a origem da visão: DEUS! No caso de Abraão a base de sua fé foi Deus, não suas promessas. Ele não foi chamado de amigo de Deus pelo interesse da promessa, mas pelo convívio com o que prometera (2Cr 20.7 "Não és tu o nosso Deus, que expulsaste os habitantes desta terra perante Israel, o teu povo, e a deste para sempre aos descendentes do teu amigo Abraão?" ; Is 41.8 "Você, porém, ó Israel, meu servo, Jacó, a quem escolhi, vocês, descendentes de Abraão, meu amigo"; Tg 2:23 "Cumpriu-se assim a Escritura que diz: “Abraão creu em Deus, e isso lhe foi creditado como justiça” e, e ele foi chamado amigo de Deus".). O mais fascinante numa visão é que quando se passa a ter afinidade com seu doador ela se torna secundária, e Ele a principal razão de nossas vidas. A visão sempre tem que ter como base Deus, Ele tem que ser centro de tudo. A visão não pode ser baseada num exemplo do passado, num padrão de um presente, mas sim, numa fonte inesgotada que é o Senhor nosso Deus. Paulo diz: Prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus (Fp 3.14). Embora Paulo tivesse uma visão da vida terrena, ele tinha como seu maior alvo a eternidade com Cristo Jesus.

3.2. Um líder fala sem o uso de palavras - Deus tem prioridades. E os líderes, precisam conhecê-las para não motivar erroneamente as pessoas a trabalharem e a sacrificarem por sua própria visão, em vez da visão e propósitos divinos. Deus tem como finalidade estar unido a nós. Todavia, o chamado é para aqueles que desejam desenvolver e equipar a outros para cumprir seus propósitos. Assim, devemos avaliar nossa visão de acordo com a vontade e direção de Deus, e aprender a comunicar isso àqueles que influenciamos. O mundo precisa urgentemente de pessoas visionárias capazes de romper com o natural (Pv 29.18 "Onde não há revelação divina, o povo se desvia; mas como é feliz quem obedece à lei!"; Rm 8.19 "A natureza criada aguarda, com grande expectativa, que os filhos de Deus sejam revelados".). Abraão hoje está calado, mas sua vida fala e ensina gerações e gerações através de seu exemplo de fé (Tg 2.23 "Cumpriu-se assim a Escritura que diz: “Abraão creu em Deus, e isso lhe foi creditado como justiça” e, e ele foi chamado amigo de Deus".).

3.3. Um líder deve se manter fiel a visão - Deus tem como amigo o homem que com dignidade é fiel à visão que lhe foi entregue. Abraão teve motivos de sobra para abandonar a visão, mas sua respiração não estava nas coisas temporais, e sim, nas que são eternas. Ele deixou tudo para trás, foi fiel e capaz de sacrificar sua vida e seus sentimentos. A visão torna o sofrimento e o desapontamento suportáveis, é capaz de gerar esperança em meio ao desespero e prover paciência na tribulação, ela é o fundamento da coragem e o combustível da persistência. A vida é dinâmica, o tempo passa, as coisas se transformam, e desprezar uma visão pode provocar um vazio que nem mesmo a eternidade será capaz de preencher. Quem sabe Esaú pudesse explicar melhor sobre esse vazio quando viu o real valor da benção que trocou por um prato de comida? Genises 25: 29-34 "Um dia, quando Jacó estava cozinhando um ensopado, Esaú chegou do campo, muito cansado, e foi dizendo: Estou morrendo de fome. Por favor, me deixe comer dessa coisa vermelha aí . Jacó respondeu: Sim, eu deixo; mas só se você passar para mim os seus direitos de filho mais velho. Esaú disse: Está bem. Eu estou quase morrendo; que valor têm para mim esses direitos de filho mais velho? Então jure primeiro, disse Jacó. Esaú fez um juramento e assim passou a Jacó os seus direitos de filho mais velho. Aí Jacó lhe deu pão e o ensopado. Quando Esaú acabou de comer e de beber, levantou-se e foi embora. Foi assim que ele desprezou os seus direitos de filho mais velho.” Que em cada um de nós haja a suprema visão, a visão da eternidade. Que em todos os dias tenhamos contato com ela.

Conclusão - A aquisição, o desenvolvimento e o relacionamento de uma visão são etapas que todo líder deve passar. Quando falamos de fidelidade à visão confiada, compete-nos também passá-la adiante e não morrer com ela. Toda a visão que se encerra com a existência de um líder indica que tudo foi feito na pessoa dele próprio, por isso, ela morreu com ele. Líderes geram filhos, jamais deixam a próxima geração órfã de visão. O líder passa, mas a visão é de gerações. Cuidemos para que o nosso coração tenha valores corretos e possa receber a visão de Deus. Que os princípios da visão divina sejam aplicados em nossa vida (enxergar, abençoar outros e manter contato com a visão divina). Que a nossa suprema visão seja o céu; hoje temos a visão da mesa com os elementos da ceia, mas que tenhamos a visão do banquete celestial.

QUESTIONÁRIO
1. O que é uma visão? R.Visão é a habilidade de enxergar além do que nossos olhos físicos conseguem ver.
2. O que acontece mediante uma visão comunicada por Deus? R. Tanto o nosso presente quanto o futuro podem sofrer alterações.
3. O que a visão é capaz de fazer em os liderados? R. A visão coloca os liderados em consonância com o líder (Jo 15.15).
4. Ao enxotar as aves Abraão cansou e dormiu, o que fez Deus? R. Completou com fogo divino o que Ele mesmo havia pedido.
5. A quem Deus tem como amigo? R. Ao homem que com dignidade é fiel à visão que lhe foi entregue.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

LIÇÃO 11 - ENFRENTANDO O SENTIMENTO DE REJEIÇÃO

LIÇÃO 11 – 15 de junho de 2014 – Editora BETEL

Enfrentando o sentimento de rejeição

TEXTO AUREO - “E o Senhor, Deus de Israel, deu a Seom com todo o seu povo na mão de Israel, e os feriram; e Israel tomou por herança toda a terra dos amorreus que habitavam naquela terra.” Jz 11.21

VERDADE APLICADA - Por mais que não nos sintamos valorizados ou amados, devemos lembrar que o Amor do Nosso Pai e Sua Graça nos alcançam diariamente.

OBJETIVOS DA LIÇÃO
► Definir o que é o sentimento de rejeição;
► Explicar como surge esse sentimento;
► Mostrar como podemos vencer esse sentimento.

TEXTOS DE REFERÊNCIA - Jz 11.5 - Aconteceu, pois, que, como os filhos de Amom pelejassem contra Israel, foram os anciãos de Gileade buscar Jefté na terra de Tobe.
Jz 11.6 - E disseram a Jefté: Vem e sê-nos por cabeça, para que combatamos contra os filhos de Amom. Jz 11.7 - Porém Jefté disse aos anciãos de Gileade: Porventura, não me aborrecestes a mim e não me repelistes da casa de meu pai? Por que, pois, agora viestes a mim, quando estais em aperto? Jz 11.8 - E disseram os anciãos de Gileade a Jefté: Por isso mesmo tornamos a ti, para que venhas conosco, e combatas contra os filhos de Amom, e nos sejas por cabeça sobre todos os moradores de Gileade.
Estes versículos apresentam-nos Jefté, o oitavo juiz de Israel. Ele era um guerreiro poderoso, mas filho de uma união entre Gileade, neto de Manassés (Nm 26.29,30), e uma prostituta cujo nome não é mencionado. Uma vez que o pai de Jefté também teve filhos com sua esposa legítima, estes compeliram seu meio-irmão a sair de casa quando ficou mais velho. Ele foi deserdado por sua família e habitava em Tobe. Este nome significa ‘‘bom, agradável, doce, formoso, belo”. Pode ter sido et-Taiyibeh, a cerca de 24 quilômetros a leste de Ramote-Gileade. Ali ele se tornou o chefe de homens levianos, renegados, como no caso de Davi, mais tarde (1Sm 22.1,2), a quem ele levava às festas. Foi desta maneira que Jefté ganhou a experiência e a reputação de homem valente e valoroso.
Jefté Chega ao Lar, (11.4-11) Mais tarde, quando os amonitas invadiram Israel (10.17), os anciãos de Gileade correram à terra de Tobe. “Venha e seja o nosso líder para que possamos nos defender”, imploraram eles a Jefté. Este lembrou aos anciãos o tratamento ruim que recebera anteriormente. “Por que vocês me procuram, agora que estão com problemas?”, perguntou ele. Por isso mesmo tornamos a ti foi a resposta deles, talvez com este sentido: “Percebemos que o tratamos injustamente e é por isso que viemos: para que possamos mostrar-lhe nossa confiança tendo-o por cabeça”; esta palavra significa “general”, talvez “ditador”). Quando Jefté quis se certificar do que lhe era oferecido, mais uma vez os anciãos afirmaram que, se ele os livrasse, então seria colocado como chefe e cabeça. Desta vez selaram seu acordo com um juramento religioso: O Senhor será testemunha entre nós, e assim o faremos conforme a tua palavra. O voto foi reafirmado quando Jefté falou todas as suas palavras perante o Senhor, em Mispa.

Introdução - A enfermidade da alma que iremos estudar nesta lição é o sentimento de rejeição. Embora tenha o nome parecido, não se trata de medo da rejeição, assunto que já estudamos anteriormente. No caso do sentimento de rejeição, o individuo pensa que não é valorizado pelas pessoas com quem se relaciona. A partir daí, torna-se extremamente carente e se contenta com o mínimo que alguém lhe ofereça para se sentir bem. Porém, em alguns momentos, essa pessoa pode se tornar perigosa já que é capaz de fazer qualquer coisa para ser notado.

OBJETIVO ► Definir o que é o sentimento de rejeição;
1. O que é o sentimento de rejeição - A rejeição é uma das feridas emocionais mais comuns. A sensação de ser rejeitado, assemelha-se a ser jogado na lata do lixo da vida, é algo que machuca e deixa marcas que perseguem o indivíduo ao longo dos anos, condenando-o a um estado permanente de medo, tristeza e isolamento (Gn 3.9-10). O sentimento de rejeição pode ter origens em diversas situações: convivência familiar, escola, amizades, trabalho, relação amorosa, etc. Basicamente, a rejeição nasce em situações de decepção (especialmente com pessoas valiosas para nós) nas quais nos sentimos desvalorizados, injustiçados, como se não se importassem com nossos sentimentos nem reconhecessem nossos esforços.
Ressaltar, com os alunos, o quanto a raiz do sentimento de rejeição está na frustração de nossas expectativas sobre os outros.

1.1. A rejeição na história de vida da pessoa - Muitas pessoas sofrem com sentimentos de rejeição originados durante a infância, por situações como, por exemplo, o favoritismo (real ou imaginário) de um dos pais ou dos dois, por um filho, em detrimento de outro(s) (Gn 25.28 "E amava Isaque a Esaú, porque a caça era de seu gosto; mas Rebeca amava a Jacó".). Se exacerbado, esses sentimentos podem causar insegurança e carência afetiva e ainda podem ser reforçados ao longo do desenvolvimento do sujeito (Gn 37.3 "E Israel amava a José mais do que a todos os seus filhos, porque era filho da sua velhice; e fez-lhe uma túnica de várias cores".). Assim, os sentimentos de rejeição acompanham a pessoa em seus relacionamentos interpessoais, ela sente dificuldade em sentir-se amada, aceita e valorizada. Cada pessoa reage de forma distinta e peculiar aos elementos que constituíram sua história (Jz 11.1-6). A pessoa que se sente rejeitada, por exemplo, pode canalizar o sentimento em duas direções distintas: uma interna e outra externa.
Ressaltar que o mais importante para a origem do sentimento de rejeição é a interpretação que a pessoa faz de estar sendo rejeitada (exemplo do irmão mais velho do filho pródigo) e não necessariamente, ela estar realmente sendo preterida (exemplo dos filhos de Jacó).

1.2. Rejeição internalizada - Embora nem toda pessoa tímida ou introvertida tenha histórico de rejeição, há pessoas que internalizam o sentimento de rejeição e de não aceitação, gerando diversos outros sentimentos, como culpa e baixa autoestima. Outras consequências possíveis são timidez, complexo de inferioridade e dificuldade de se expressar ou expor sua opinião, gerando sofrimento para a pessoa (Jó 32.6 "E respondeu Eliú, filho de Baraquel, o buzita, e disse: Eu sou de menos idade, e vós sois idosos; arreceei-me e temi de vos declarar a minha opinião".).

1.3. Rejeição externalizada - Entretanto, o sentimento de rejeição também pode ser externalizado. Nesse caso, a pessoa canaliza agressividade para fora, como um mecanismo de defesa. Isto é, para defender-se da carência afetiva causada pela rejeição, a pessoa adota comportamento agressivo e arredio, justamente como estratégia para não mostrar sua fragilidade. Muitos são os exemplos de pessoas agressivas, soberbas, maledicentes ou aproveitadoras que, na realidade, encontraram nessas atitudes que humilham, agridem ou tiram vantagem do outro uma forma de lidar com seus próprios sentimentos de rejeição (Gn 37.18-20).
O raciocínio que se quer explicar aos alunos é de que a rejeição possui múltiplas faces e de que, mesmo pessoas “problemáticas”, podem também ser vítimas de seus sentimentos de rejeição.

OBJETIVO ► Explicar como surge esse sentimento;
2. A história de Jefté - Jefté era rejeitado e aparentemente destinado a ser infeliz. Ele era um homem valoroso, filho de um cidadão influente, porém sua mãe era prostituta. Portanto, seu nascimento não estava nos planos de seus pais. Ainda no ventre de sua mãe, já carregava o estigma de ser filho ilegítimo e nada poderia mudar esse fato. Mesmo antes de nascer Já fora rejeitado (Jz 11.1).
E importante ressaltar que embora o feto não seja capaz de falar ou pensar e ainda não tenha sido totalmente formado, segundo estudiosos, já é capaz de perceber os sentimentos e expectativas que seus pais nutrem em relação a ele. Durante a gravidez, mãe e filho compartilham, não apenas do mesmo alimento e do mesmo ar, mas de sensações, desgostos e sobressaltos comuns.

2.1. Jefté e seus irmãos - Além de ser rejeitado pelos pais e pela sociedade antes mesmo do seu nascimento, Jefté enfrentou mais um momento difícil. Quando era jovenzinho, foi expulso por seus irmãos mais novos (Jz 11.2), e os moradores da cidade, movidos pelo preconceito, apoiaram tal decisão. Ninguém moveu uma palha em seu favor.

2.2. As consequências da rejeição na vida de Jefté - Na vida de Jefté, aos traumas antigos somavam-se os novos. Era rejeição sobre rejeição, empurrando-o na direção perigosa de uma vida dominada pela revolta. A Bíblia diz que ele fugiu para a terra de Tobe (Jz 11.3). Os sucessivos golpes haviam transformado Jefté num homem revoltado. Ele enveredou pelo caminho do crime. Formou um bando com outros tão amargurados quanto ele. Várias pessoas, ao sentirem-se rejeitadas, abandonam a família, os amigos e a igreja, passando a frequentar lugares perigosos e deprimentes, achando em seu interior que não merecem coisas boas.

2.3. Dificuldade em lidar com a autoridade - Os que sofrem de sentimento de rejeição geralmente têm um comportamento negativo em relação à autoridade e costumam se revoltar contra alguém que lhes tenta impor algum limite, pois entendem isso como sendo mais um ato de rejeição a seu respeito. Em nenhum momento, Caim aceitou que o Senhor tinha rejeitado a sua oferta, porque suas obras eram más (lJo 3.12 Não como Caim, que era do maligno e matou a seu irmão. E por que causa o matou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas.), mas entendeu que estava sendo rejeitado, irando-se fortemente (Gn 4.5 "Mas para Caim e para a sua oferta não atentou. E irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o seu semblante".), não reconhecendo a autoridade do Senhor em sua vida. Em nossas igrejas, quase sempre nos deparamos com pessoas que agem dessa forma, não aceitando a autoridade dos pastores e líderes (Gn 4.7-8). O mais maravilhoso na história da vida de Jefté é que sua situação mudou radicalmente. De um fora da lei, tornou-se um herói nacional e juiz de Israel. E ainda com direito a fazer parte da seleta “Galeria da Fé” (Hb 11.32). Nosso Deus é aquele que joga por terra todas as previsões, diagnósticos, prognósticos e expectativas humanas. E assim como Jefté todos que se sentem rejeitados podem modificar a sua situação com a ajuda divina.

OBJETIVO ► Mostrar como podemos vencer esse sentimento.
3. O sentimento de rejeição na Igreja - O sentimento de rejeição tende a aflorar em momentos em que nos sentimos confrontados com alguma situação que nos faça sentir preteridos ou menosprezados em relação a algo ou a alguma pessoa. Esse sentimento tem afligido muitos cristãos. Alguns se têm esquecido de que são filhos de Deus e que nada os poderá afastar do grande amor que o Senhor expressou por eles (Rm 8. 39 "nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor!"). Esses irmãos tentam, de todas as maneiras, serem notados, e buscam o reconhecimento, muitas vezes, com atitudes que prejudicam a outros; e visam à glória humana, esquecendo-se de que quem nos glorifica e exalta é o Senhor. Não é o lugar que faz a pessoa, mas a pessoa curada que faz seu lugar. Do mesmo modo, viver dentro de uma igreja não nos tornará saudáveis se nossos problemas existenciais não forem encarados, reconhecidos e resolvidos.

3.1. O sentimento de rejeição pode ser perigoso - Em alguns casos, o sentimento de rejeição pode se tornar uma arma perigosa, visto que o indivíduo, por se achar rejeitado, pode entrar em disputa contra aquele que ele pensa que o rejeitou (Lc 15.28 "Mas ele se indignou e não queria entrar. E, saindo o pai, instava com ele".). No entanto, nem sempre a disputa é maldosa: ao se colocar em disputa com alguém, o indivíduo pode não estar querendo, conscientemente, prejudicar alguma pessoa, mas sim apresentando um sintoma de sentimento de rejeição, tentando ser notado a qualquer preço (Lc 15.29 "Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos".). Assim, o sujeito acaba por ferir sentimentos de algumas pessoas que estão à sua volta e que são prejudicadas por seus atos (Lc 15.31 "E ele lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas".).

3.2. Deus nunca se esquece - Através do profeta Isaias, o Senhor nos dá a certeza de que nunca se esquecerá do seu povo. O profeta usa a figura da mãe para exemplificar a profundidade do amor de Deus em relação ao seu povo (Is 49.15 "Pode uma mulher esquecer-se tanto do filho que cria, que se não compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas, ainda que esta se esquecesse, eu, todavia, me não esquecerei de ti".). Jamais seremos esquecidos ou desamparados. Assim, não há razão para nos sentirmos rejeitados. O caminho para a cura está em crermos que Deus se importa conosco, apesar das nossas imperfeições, Ele nos ama profundamente. Antes de sermos concebidos no ventre materno, fomos gerados no coração de Deus.

3.3. Como combater o sentimento de rejeição? - A rejeição é um dos males emocionais mais comuns em nossa sociedade. Vivemos num mundo agitado, desumano, materialista e consumista, que trata os indivíduos como se fossem mercadorias. Ainda que todos rejeitem uma pessoa, ou não percebam seu valor, Deus valoriza o homem criado à sua imagem e semelhança e não desiste, pois acredita em seu potencial e tem projetos maravilhosos para sua vida. Quando a pessoa se afasta, isola-se, poderá ocorrer uma evolução para um quadro de depressão, que poderá levá-lo(a) a uma prostração total em relação à vida. O sentimento de rejeição no crente deve ser combatido com oração e comunhão com Deus e a igreja (SI 133), além de orientação psicológica. É importante ressaltar que Jesus sabe o que é ser rejeitado por todos os homens (Is 53.3 "Era desprezado e o mais indigno entre os homens, homem de dores, experimentado nos trabalhos e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum".) e até mesmo sabe o que é sentir-se abandonado por seu Pai (Mt 27.46 "E, perto da hora nona, exclamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lemá sabactâni, isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?"). Cabe ressaltar a importância dos irmãos da igreja no aconselhamento aos crentes que manifestam atitudes derivadas de sentimentos de rejeição. Paralelamente, pode ser necessário encaminhá-los a um profissional competente, para que se possa ter um diagnóstico preciso. Dessa forma, ficará mais fácil para o indivíduo fortalecer a sua comunhão com Deus.

Conclusão - O sentimento de rejeição pode ser provocado por diversos motivos, alguns deles foram citados nesta lição. Contudo nenhum deles é suficiente para vencer o poder de Deus na vida do servo fiel, que tem certeza das promessas de Jesus (Mt 11.28). Com uma orientação profissional terapêutica, o indivíduo obterá os meios necessários para ficar firme na presença de Deus.

QUESTIONÁRIO
1. Cite pelo menos duas situações que dão origem ao sentimento de rejeição?
R. Convivência familiar, no trabalho, na escola, etc.
2. Por que Jefté foi expulso por seus irmãos?
R. Porque ele era filho de outra mulher (Jz 11.2).
3. Como deve ser combatido o sentimento de rejeição no crente?
R. Com comunhão e oração, pois somos mais que vencedores (Rm 8.37).
4. O que pode acontecer com as pessoas que estão à volta de quem sofre de sentimento de rejeição?
R. Podem ter os sentimentos feridos.
5. Quais as duas formas de canalizar o sentimento de rejeição?
R. Internalizando e externalizando.